Convite à comunidade tabuleirense

Não temos a pretensão e nem imagem tradicional de militante político, cultural, ambiental e esportista. No entanto, pensamos e quem pensa criticamente e busca informações honestas não consegue conviver com a negligência nestas áreas de interesse. Este blog é uma maneira particular de exercitarmos nossa cidadania e divulgarmos os nossos pensamentos nas áreas de política, cultura, meio ambiente e esporte. Além do mais, a razão deste blog é incrementar discussões sobre política, cultura, meio ambiente e esporte referentes ao município de Tabuleiro do Norte. Assim, convidamos a todos os amigos do nosso querido "torrão sempre amado", sem distinção política, religiosa, de cor, de gênero, de classe social, etc., para interagir e acompanhar as postagens. É pretensão nossa postar textos, poesias, imagens e notícias. Sugiro também a quem quiser colaborar com estes formatos de comunicação e expressão que estaremos recebendo-os e analisando-os, através do e-mail: cirandadeverbo@gmail.com. Esperamos que participem e apreciem da melhor maneira possível e sigam este novo caminho. Felicidades!!!
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domingo, 3 de junho de 2012

Texto: Análise Ambiental do Riacho Quixeré

O uso e a ocupação do espaço urbano e a extensão das fronteiras agrícolas têm implicações importantes sobre a qualidade ambiental em Áreas de Preservação Permanente. Estas ações antrópicas são agravantes para o equilíbrio ambiental dos sistemas naturais quando os limites de preservação, previstos pela legislação específica, não são respeitados. Além do mais, os impactos são mais agressivos em regiões nas quais as características ambientais (condições climáticas, hidrológicas e geomorfológicas) as tornam mais vulneráveis, a exemplo dos sistemas ecológicos presentes no semiárido brasileiro.


O Riacho Quixeré é um recurso hídrico natural, localizado no município de Tabuleiro do Norte-CE, e que recebe contribuição hídrica das águas escoadas na própria bacia de drenagem, assim como do fluxo de água proveniente do Rio Jaguaribe. Este sistema hídrico tem largura média em torno de 10,0 metros e, portanto, deveria possuir vegetação ribeirinha em faixa de 30,0 metros, conforme prevê a Lei nº 4.771/1965 (Código Florestal Brasileiro).
No entanto, a partir de visitas de campo, análise da legislação específica e levantamento bibliográfico, observou-se que o Riacho Quixeré apresenta graves problemas socioambientais, principalmente no trecho inserido na área urbana da cidade de Tabuleiro do Norte.
Entre os problemas observados na Área de Preservação Permanente deste riacho, podem ser enumerados: desmatamento da vegetação ciliar, loteamentos, aterramentos e construção de imóveis; barramentos para retenção de água; disposição de resíduos sólidos; lançamentos de efluentes domésticos e de serviços que liberam óleo e graxas, como aqueles provenientes de oficinas mecânicas de automotores.




Além dos impactos potencias ocorrentes na área urbana do município, pode ser citada a poluição difusa causada pelos resíduos provenientes do uso indiscriminado de fertilizantes sintéticos e da criação de animais nas áreas rurais. Como consequência, observa-se claramente a perda da qualidade ambiental da área de preservação do Riacho Quixeré, processo de eutrofização da água, assoreamento de seu leito, perda da biodiversidade biológica e comprometimento da drenagem das águas no município (com registro de inundações recorrentes, inclusive nas áreas de risco).


Diante deste contexto, conclui-se que o descaso e omissão da gestão pública municipal, o descumprimento da legislação ambiental e a falta de ação e atitude da comunidade tabuleirense são fatores decisivos para a ocorrência dos impactos ambientais ao longo do riacho Quixeré.

(por: Andréa Moreira, Paulo Lima e Adriana Moreira)

sábado, 2 de junho de 2012

CONVITE: AUDIÊNCIA PÚBLICA – RIACHO QUIXERÉ

            



               O Riacho Quixeré é um sistema aquático, localizado na bacia do baixo Jaguaribe, no município de Tabuleiro do Norte-CE, e de relevante interesse socioambiental para a população. Apesar da maior parte do seu percurso está inserida na área rural deste município, é dentro dos limites urbanos que este ambiente hídrico sofre com a consequência dos impactos negativos: desmatamento da vegetação ribeirinha, aterramento de seu leito, construção de residências domiciliares e comerciais na Área de Preservação Permanente, lançamento de efluentes domésticos, lançamento de óleos e graxas, devido à grande quantidade de oficinas mecânicas e lava-jatos, deposição de resíduos sólidos, barramentos ao longo do curso do riacho, entre outras atividades impactantes.

               A quase inexistência de saneamento básico e a falta de compreensão de parte da população refletem na deterioração da qualidade da água e na desconfiguração da paisagem natural, na qual o riacho está inserido. Mesmo diante da importância do Riacho Quixeré para controle da drenagem das águas, manutenção da diversidade biológica, beleza paisagística, lazer contemplativo e primário, atividades turísticas, amenização do microclima local, entre outros benefícios da economia natural, o riacho Quixeré está sendo loteado e exposto a venda, sem que o poder público municipal atue de forma educativa, proibitiva e reparadora e sem que a comunidade manifeste indignação e revolta co o descaso.

               A despeito de algumas ações para controle das construções de residências na margem e no leito deste riacho, nada de efetivo vem sendo feito nos últimos 20 anos, seja por meio de anseios da população, seja por meio de planejamento urbano municipal. Como consequência, a garantia de “meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida da população”, prevista pela Constituição Brasileira, de 1988, não está sendo efetivada para as presentes e futuras gerações de Tabuleiro do Norte. 

               É no sentido de promover um espaço de diálogo coletivo entre os poderes públicos, os proprietários (com imóveis localizados na Área de Preservação Permanente – APP deste riacho) e a comunidade tabuleirense, que se faz necessária a realização de uma AUDIÊNCIA PÚBLICA para conhecermos e discutirmos a problemática ambiental pela qual o Riacho Quixeré vem sofrendo nos últimos anos.

               Para que a discussão proposta possa alcançar o objetivo maior de preservação do Riacho Quixeré, convidamos-lhe para participar desta Audiência Pública, a ser realizada na Câmara Municipal de Vereadores,  município de Tabuleiro do Norte, cujo início esta previsto para as 08:00h do dia 05 de junho de 2012, quando também se comemora o “Dia Mundial do Meio Ambiente”.

Contamos com sua presença.

(por: Paulo Lima)          

domingo, 20 de maio de 2012

TEXTO: Vende-se o Riacho Quixeré !?!

Os sistemas aquáticos são de fundamental importância para manutenção do equilíbrio ecológico dos ecossistemas e para realização de diversas atividades antrópicas, além de se considerar a água como bem essencial à vida.
 No entanto, o recurso água e outros elementos da paisagem, necessários para manutenção da qualidade e para garantia do ciclo biogeoquímico da água, não são manejados de forma sustentada. A despeito do arcabouço legal brasileiro, referente à matéria ambiental, a sua inaplicabilidade é reflexo da falta de prioridade dos poderes públicos sobre a relevância dos recursos naturais e dos serviços ambientais que a natureza oferece. 



O Riacho Quixeré é um sistema aquático, localizado na bacia do baixo Jaguaribe, no município de Tabuleiro do Norte-CE, e de relevante interesse socioambiental para a população. Com o intuito de acompanhar e analisar a atual situação em que se encontra este riacho, esta sendo realizado, desde 2007, um acompanhamento sistemático, sob a fundamentação teórica realizada por meio de pesquisa bibliográfica, a partir do qual são identificados quais os locais mais impactados e os principais agentes de degradação do Riacho Quixeré. 



Apesar da maior parte do seu percurso está inserida na área rural deste município, é dentro dos limites urbanos que este ambiente hídrico sofre com a consequência dos impactos negativos: desmatamento da vegetação ribeirinha, aterramento de seu leito, construção de residências domiciliares e comerciais na Área de Preservação Permanente, lançamento de efluentes domésticos, lançamento de óleos e graxas, devido à grande quantidade de oficinas mecânicas e lava-jatos, deposição de resíduos sólidos, barramentos ao longo do curso do riacho, entre outras atividades impactantes. 
A quase inexistência de saneamento básico e a falta de compreensão de parte da população refletem na deterioração da qualidade da água e na desconfiguração da paisagem natural, na qual o riacho está inserido. Mesmo diante da importância do Riacho Quixeré para controle da drenagem das águas, manutenção da diversidade biológica, beleza paisagística, lazer contemplativo e primário, atividades turísticas, amenização do microclima local, entre outros benefícios da economia natural, o riacho Quixeré está sendo loteado e exposto a venda, sem que a gestão pública municipal atue de forma educativa, proibitiva e reparadora. 



A despeito de algumas ações para controle das construções de residências na margem e no leito deste riacho, nada de efetivo vem sendo feito nos últimos 20 anos, seja por meio de anseios da população, seja por meio de planejamento urbano municipal. Como consequência, a garantia de “meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida da população”, prevista pela Constituição Brasileira, de 1988, não está sendo efetivada para as presentes e futuras gerações de Tabuleiro do Norte.         

(por: Paulo Lima, Andréa Moreira e Francisco José Lima Silva)

domingo, 6 de maio de 2012

Texto: Movimento Riacho Quixeré: a natureza que não queremos perder!!!


Vende-se o Riacho Quixeré!?






É desta forma que garantiremos melhor qualidade de vida aos tabuleirenses das presentes e futuras gerações? Quem são os responsáveis por cumprir e fazer cumprir a legislação ambiental? E porque estão omissos? Por que a comunidade não se comove e age para a preservação do Riacho? Vamos esperar até quando? Existe alguma esperança para o "agora"? Está difícil!!! 

A Constituição Federal do Brasil, de 1988, defende no seu artigo 225 que: "Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações". 


"Para que serve a Constituição?" é uma pergunta retórica.

"Para quem serve a Constituição?" é a pergunta que ecoa sem voz, mas para qual temos muitas respostas. 


(por: Movimento Riacho Quixeré: a natureza que não queremos perder!!!)


domingo, 22 de abril de 2012

Texto: Movimento Riacho Quixeré: a natureza que não queremos perder!!!"


*texto elaborado para mobilização de estudantes...

Na minha cidade tem um riacho! E se bem conheço, o espaço no qual nasci, tem também um rio, açude, chapada, estrada, água, pássaros, plantas, pebas e muitas outras coisas as quais são frutos do trabalho da natureza. Temos muita coisa, uma lista enorme do que a natureza nos oferece. É de graça!!! E, equivocadamente, o que é “de graça” não é valorizado, justamente por ser fácil conseguir (quantas vezes, se quiser). E por esta falta de atenção com os recursos e serviços da natureza, que passamos a nem enxergar os valores fundamentais que são próprios da natureza.
A verdade é que não valorizamos o local no qual nascemos, vivemos, crescemos e por fim, partimos. Estamos acostumados a pensar e acreditar que o que tem valor é aquilo que vem de fora, da mesma forma que as pessoas de outros lugares acham os nossos bens naturais como patrimônio inigualável. É por isso, que não soa estranho se você não sabe que sua cidade tem um riacho, um rio... Você sabe que existe, mas não que se utiliza dele para melhoria da sua qualidade de vida. Você sabe que existe, apenas não conhece a importância, o valor, a natureza da existência do seu riacho.
Alguém já deve ter dito que não amamos a quem ou o que não conhecemos e para conhecer algo de verdade é preciso senti-lo pelas sensações privilegiadas que temos. E quando realmente tivermos posse dos sentidos passaremos a ter argumentos, olhar crítico e posicionamento sobre aquilo que agora passa a ser seu, da sua cidade e do meu município.
Essa é a transformação pela qual o individuo e a coletividade deve passar para saber que na minha cidade tem um riacho, ele tem nome, importância, razão de existência e, mesmo assim, renegamos seu valor, sem que sentimento algum faça mudar o curso da degradação. Temos a oportunidade de outro caminho, que propõe fazer a diferença.





Algumas pessoas do município de Tabuleiro do Norte, Ceará, sabem que existe um riacho no seu espaço geográfico, cujos serviços ambientais (beleza cênica, drenagem urbana, preservação da fauna e da flora,...) são benéficos para a toda comunidade tabuleirense. Estas pessoas, ainda poucas pessoas, sabem que este riacho, conhecido por Riacho Quixeré, vem sofrendo com a degradação da sua qualidade ecológica, sem que o poder público e a própria comunidade manifeste sentimentos de revolta, de indignação e de justiça.
Desde o final da década de 80, algumas ações isoladas foram dirigidas à preservação deste sistema hídrico, sem que, até o presente momento, alguma ação efetiva, mitigadora ou proibitiva tenha sido implementada e tenha conseguido limitar o avança da degradação do Riacho Quixeré.
No entanto, é necessário enumerar algumas poucas ações, apesar da limitação de sua abrangência e da magnitude restrita dos objetivos alcançados, para que se faça justiça ao trabalho que vem sendo realizado ao longo dos últimos anos: aprovação da Lei Municipal nº 428 de 29 de setembro de 1993, a qual reforça as normas de preservação prevista pelo Código Florestal Brasileiro (Lei Federal nº 7.771/1995) e estabelece a área de Proteção Ambiental do Riacho Quixeré (não cumprida até o presente momento); trabalho de mobilização e sensibilização com escolas do município; sensibilização da comunidade por meio da distribuição do panfleto S.O.S. Riacho Quixeré; Mobilização e sensibilização das entidades religiosas do município, por meio de caminhadas ecológicas realizadas entre a sede das instituições cristãs até trecho do Riacho Quixeré; limitação da construção de imóveis em um pequeno trecho no qual o riacho atravessa a área urbana no município e no qual a degradação ambiental é alarmante. Todas estas atividades partiram de trabalhos desenvolvidos pela iniciativa do poder público municipal, por meio de pessoas envolvidas e compromissadas com a causa ambiental.           
Apesar do avanço da discussão ambiental do Riacho Quixeré, devido a estes movimentos de caráter preservacionista, precisamos somar forças para que estas ações possam tomar a dimensão necessária para a efetiva preservação, recuperação e manutenção da qualidade ambiental deste sistema hídrico.
É neste sentido, que ressurge, em Tabuleiro do Norte, a vontade de reunir forças em prol da defesa do riacho. Esta reunião de forças vem renomada com o título “Movimento Riacho Quixeré: A natureza que não queremos perder!!!”.  Este movimento ressurge a partir do sentimento de esperança que nos restas, para salvar o Riacho Quixeré de sua total degradação. O movimento não tem a cara de ninguém, senão a de todos os tabuleirenses interessados na recuperação e preservação do riacho. Não temos líderes, não temos nomes! 
É um movimento apartidário, democrático, solidário, idealista e prático: é apartidário, pois o movimento não defende e não apóia, de forma única ou exclusiva, partidos políticos, entidades religiosas, gêneros ou etnias; é solidário, por demonstrar preocupação com todas as manifestações sociais que ocorram no município, além de manter o diálogo entre todas as partes envolvidas direta ou indiretamente com as ações deste movimento específico; é democrático e não hierárquico, no qual todos tem o mesmo poder de decisão e argumentação; idealista, pois lutamos por ideias de uma sociedade equilibrada, no que diz respeito à preservação ambiental, à justiça social, ao desenvolvimento econômico e à diversidade cultural; e é prático, pois o movimento só caminhará se for construído sobre bases práticas, que, por sua vez, deverão ser delineadas por fundamentação teórica sólida. 
O objetivo deste movimento é mobilizar e sensibilizar a comunidade tabuleirense para a importância de recuperar e de preservar o Riacho Quixeré, diante dos serviços ambientais que ele cumpre e dos seus usos possíveis e permitidos: drenagem das águas pluviais; beleza paisagística; preservação da flora, da fauna e dos microorganismos de maneira geral; manutenção de microclima local; espaço para realização de atividades esportistas, educativas e de lazer; entre outras atividades, serviços e usos.         
Para que este movimento tenha energia suficiente para alcançar o objetivo maior de preservação do riacho Quixeré, é preciso que todas as representações sociais, ou seja, todas as vozes da comunidade tabuleirense dialoguem entre si, para decidir, enquanto comunidade, o que deve ser feito em relação ao riacho: devemos preservá-lo, de posse do conhecimento de sua importância, ou devemos destruí-lo diante da vontade e da ignorância de alguns? 

(por: Paulo Lima)

quarta-feira, 28 de março de 2012

Texto: Modelos de desenvolvimento


A evolução social, concernente às transformações na melhoria da qualidade de vida das comunidades, está diretamente relacionada ao aperfeiçoamento da habilidade do homem de modificar o espaço local e aos procedimentos para processar e utilizar os recursos disponíveis. Contudo, essa evolução é questionada, pois apenas parte da população tem acesso facilitado aos produtos e serviços proporcionados pelos avanços científicos, tecnológicos, industriais e pelo modelo econômico neoliberal. Discute-se, todavia, que a modernização social encontra um contraponto no modelo atual de desenvolvimento, no qual a utilização indiscriminada dos recursos naturais e a geração cada vez maior e diversificada de resíduos comprometem o equilíbrio ambiental do planeta, a saúde pública e o bem-estar social.
Entretanto, as cidades continuam enveredando pelo mesmo modelo de crescimento econômico adotado pelos países ditos desenvolvidos e em processo de desenvolvimento, no qual o critério de negociação do “toma lá, da cá” acaba prevalecendo. E essa não é uma verdade apenas das grandes cidades. Em um modelo globalizado de relações internacionais, tanto os pequenos como os grandes agregados urbanos funcionam por meio de um sistema ramificado de modelos econômicos padronizados. Estes modelos são, muitas vezes, elaborados a partir de cópias e adaptações de políticas, objetivos, estratégias e processos de países com realidades distintas e até opostas, e, por isso, estão sujeitos a falharem, quando aplicados a nossa realidade. Por outro lado, modelos mais dinâmicos e sustentáveis, como o eco-desenvolvimento, são discutidos pela eficiência do marketing político, mas não implementados com a real importância e urgência.         
Dificilmente, seja em pequenas cidades ou grandes metrópoles, encontramos iniciativas corajosas, que compartilham benefícios coletivos, como os resultados de projetos de desenvolvimento sustentável, cuja formatação respeita os critérios de planejamento, a justiça social dos trabalhadores e residentes, a proteção ambiental e o equilíbrio ecológico, sem que, por outro lado, causem prejuízo ao potencial econômico do empreendimento ou atividade proposta. Porém, o que habitualmente vemos é o estabelecimento do contraditório: indústrias para o desenvolvimento local, mesmo que a poluição comprometa a qualidade de vida da população. O bem-estar social, o ar puro e a qualidade de vida das pequenas cidades brasileiras cedem espaço à industrialização tradicional, preocupada em lucro e status. Além do mais,  algumas medidas mitigadoras adotadas pelas empresas ou atividades potencialmente poluidoras são conseqüências de exigências da Política Nacional de Meio Ambiente, através dos órgãos de controle ambiental e não, em sua grande maioria, como resultado ou manifestação da consciência e/ou sensibilidade ambiental dos empreendedores.
As atividades humanas, sejam elas industriais, comerciais ou serviços, têm sua importância nas transformações do espaço e nas relações sociais das comunidades. Por outro lado, o crescimento econômico poderá alcançar estabilidade com um modelo mais sustentável, longe da especulação de que isto seja idealismo.
Os impactos ambientais internacionais, como somatório das degradações locais, refletem atualmente no conceito de mudanças climáticas globais, previstas pelos ambientalistas, em décadas anteriores, e rejeitado pelos desenvolvimentistas como sendo uma previsão radical. Hoje, sabemos da gravidade planetária das conseqüências do desenvolvimento predatório e, conhecedores desta verdade, ainda aceitamos passivamente os mesmos caminhos, justificativas e discursos desenvolvimentistas. Ao contrário disto, devemos buscar o equilíbrio entre as atividades humanas, a qualidade ambiental e a saúde pública no âmbito das comunidades locais. 
Para termos uma noção da realidade que nos cerca, basta a nós analisarmos as atividades, empreendimentos e serviços realizados no nosso município, no nosso bairro ou na nossa região, do ponto de vista da sustentabilidade. Com muita verdade, veremos que o discurso ambiental de desenvolvimento sustentável, se existir, estará encorajada pela máscara verde, que  oculta os reais motivos de seu discurso: exigências burocráticas de agentes financiadores ou de entidades parceiras, fiscalizadoras ou gestão pública (ou obtenção de selos verdes e certificações ambientais). Isto não significa que, no atual nível de discussões ambientais, não possamos encontrar ações práticas de conservação por meio daqueles que utilizam os recursos naturais para produção de bens de consumo e prestação de serviços. 
O mundo está mudando! A sensibilização é "imposta" pelos distintos meios de comunicação! A conscientização, por sua vez, é mais lenta e resistente e é esta velocidade de apreensão e compreensão dos desafios ambientais que preocupa a quem desconfia das consequências dos impactos ambientais para o futuro de nossas vidas.   

(por: Paulo Lima)

domingo, 18 de março de 2012

Texto: Até quando ficar debaixo d'água?

A chuva é um fenômeno mágico para quem precisa esperar a maior parte do ano para vê-la desfiar no céu e resfriar o ambiente, senti-la molhar o chão e, aqui no bioma Caatinga, mudar a cor da natureza, cobrir o solo e as árvores de tonalidades verdes. Poderíamos, facilmente, construir este texto apenas com o sentimento de valor que, nós sertanejos, sabemos deliciar por sina. Por outro lado, as chuvas podem nos trazer desconfortos, muitos dos quais não refletem apenas a força da natureza, mas também a falta de conhecimento, compreensão, planejamento e gestão de alguns processos naturais decorrentes das chuvas e que podem ser manejados pelo homem. Não temos o controle das chuvas, não temos como evitar precipitações torrenciais, nem temos ainda um sistema ideal de previsões de chuvas, que nos forneça previsões para um período maior de tempo. Apesar dessa fragilidade e impotencialidade que temos diante dos eventos naturais, podemos utilizar de conhecimentos práticos e teóricos para reduzir a vulnerabilidade da paisagem e o risco potencial de eventos extremos de chuvas sobre as comunidades. Muitos desastres ou fenômenos naturais que causam inconveniência para os habitantes de um determinado local poderiam ser evitados por meio de medidas mitigadoras e gestão adequada dos sistemas hídricos. Não é segredo para ninguém que a água que cai da chuva tem que escoar para algum lugar. É a partir desse movimento da água sobre o solo (e também abaixo da superfície do solo) que são formados os córregos, riachos e rios, cuja direção vai da parte mais alta para locais mais baixos da bacia hidrográfica (definida como a porção de terra limitada por obstáculos naturais, como serra e morro, e composta por uma rede de drenagem das águas da chuva).                    
Neste sentido, quando aterramos córregos, riachos, rios ou até mesmo pequenos canais de água podemos comprometer serviços da natureza, como a drenagem das águas de chuva. É o que acontece em áreas urbanas, nas quais o crescimento populacional foi desordenado e irresponsável. Para qualquer processo de ocupação e uso do solo, devemos nos valer de critérios norteadores que conduzem a resultados mais satisfatórios. O Zoneamento Ecológico e Econômico, o Plano Diretor de Uso e Ocupação do Solo e o Código de Obras e Postura são, entre outros, instrumentos legais imprescindíveis para o bom planejamento e gestão do uso e ocupação do solo no município. A partir deles, podemos identificar áreas adequadas para o estabelecimento de indústrias, de residências e de comércio e áreas prioritárias para preservação ambiental. Esta separação do ambiente urbano, em função das características de uso e ocupação do solo, visa estabelecer uma estrutura urbana equilibrada e permitir o pleno desenvolvimento dos serviços ambientais. Entre estes serviços, podemos citar a drenagem das águas de chuvas, necessária para o livre escoamento da água e imprescindível para a sadia qualidade de vida da população e manutenção dos ecossistemas aquáticos. Diante dos instrumentos legais citados, podemos identificar e mapear a rede de drenagem do município e elaborar um plano de gestão da drenagem da água. Este plano deverá resgatar, incorporar e respeitar os mecanismos naturais de drenagem, prejudicados pela interferência humana.
Neste sentido, acredito que parte da população tabuleirense tem conhecimento básico a respeito das chuvas, da drenagem da água e das conseqüências dos alagamentos e inundações. No entanto, estamos sujeitos ao acaso das forças da natureza e da falta de gestão da drenagem das águas das chuvas. Temos o riacho Quixeré (sistema hídrico que atravessa o município e, principalmente, a área urbana da cidade), que vem sofrendo com o desmatamento da vegetação de suas margens, aterramento do seu leito e degradação da qualidade da água com lançamento de óleo, esgoto e lixo. A reintegração do riacho resolveria boa parte dos problemas de drenagem da área urbana do município, mas, até o momento, o projeto de revitalização do Riacho Quixeré não foi implantado. Na verdade, a maior parte da vazão deste riacho é desviada para o córrego da Asa Branca, que não tem a capacidade de receber volumes elevados de água e acaba por comprometer, quase que anualmente, as regiões da cidade com topografia mais baixa. Somados a este problema, observamos outros interferentes da drenagem urbana de Tabuleiro do Norte: (01) o aterramento indevido de alguns bueiros da cidade (construção de imóveis); (02) o aterramento de pequenas lagoas, em terrenos de várzea, que serviam como área de amortecimento de águas das chuvas (construção de residências e indústrias); e o uso do córrego da Asa Branca com plantio de forragem para criação de ovinos e caprinos. Estas observações, reflexo da má administração dos sistemas hídricos e da falta de drenagem urbana, contribuem para as constantes inundações e alagamentos de imóveis no município de Tabuleiro do Norte.
Atualmente, o riacho Quixeré se encontra segmentado, sem haver fluxo de água entre alguns trechos. Toda a água que chega ao açude Tabuleiro, cuja barragem é também usada como a via de acesso ao Hospital do município, fica retida nele até seu completo enchimento. A água que excede o volume máximo do açude Tabuleiro deveria seguir o fluxo normal do riacho, pois o córrego da Asa Branca deveria ser apenas um caminho alternativo de para as águas resultantes de chuvas intensas. No entanto, a sangria do açude é desviada para o córrego da Asa Branca, o qual, como disse antes, não tem a capacidade de receber volumes elevados de água. Outro problema é evidenciado quando há o rompimento das barragens de alguns açudes do município, que contribuem para o aumento repentinamente do volume de água da Lagoa do Saco do Barro, que, por sua vez, sangra para dentro do riacho Quixeré, provocando inundações na área urbana adjacente. Estes são uns dos problemas evidentes de drenagem urbana do município.      
No entanto, apesar dos inconvenientes recorrentes de inundações e alagamentos, sofridos pelas inúmeras famílias tabuleirenses, o problema de drenagem urbana continua, sem que haja certeza de mudanças rápidas e efetivas na gestão hídrica do município.


(por: Paulo Lima)

Greenpeace: Desmatamento Zero!!!