Convite à comunidade tabuleirense

Não temos a pretensão e nem imagem tradicional de militante político, cultural, ambiental e esportista. No entanto, pensamos e quem pensa criticamente e busca informações honestas não consegue conviver com a negligência nestas áreas de interesse. Este blog é uma maneira particular de exercitarmos nossa cidadania e divulgarmos os nossos pensamentos nas áreas de política, cultura, meio ambiente e esporte. Além do mais, a razão deste blog é incrementar discussões sobre política, cultura, meio ambiente e esporte referentes ao município de Tabuleiro do Norte. Assim, convidamos a todos os amigos do nosso querido "torrão sempre amado", sem distinção política, religiosa, de cor, de gênero, de classe social, etc., para interagir e acompanhar as postagens. É pretensão nossa postar textos, poesias, imagens e notícias. Sugiro também a quem quiser colaborar com estes formatos de comunicação e expressão que estaremos recebendo-os e analisando-os, através do e-mail: cirandadeverbo@gmail.com. Esperamos que participem e apreciem da melhor maneira possível e sigam este novo caminho. Felicidades!!!
Mostrando postagens com marcador Política. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Política. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 2 de março de 2012

Texto: A política e o meio ambiente

Faz algum tempo que deixei de acreditar que a resolução dos desafios ambientais passasse por outra vertente a não ser política. Tenho certeza que diante da ainda incipiente atuação dos movimentos ambientalistas locais, frente aos interesses políticos equivocados, as questões ambientais são postas em planos secundários nos inúmeros embates mostrados de forma menos calorosa pela mídia conservadora.
Inúmeros exemplos de degradação ambiental poderiam ser evitados por medidas mitigadoras ou de estacionalidade. Por exemplo, não precisaríamos indenizar vários imóveis construídos até 30 metros de cada margem do Riacho Quixeré se desde o início da sua ocupação irregular a gestão pública municipal tivesse empenhado a fiscalizar a construção de casas em Áreas de Preservação Permanente. Não o fez, e dessa forma os custos atuais de reparação dos danos serão muito maiores. Mesmo assim, sob entendimento da situação, ainda não há nenhuma medida séria e eficaz de preservação deste sistema hídrico tão importante para a qualidade ambiental urbana e para a drenagem das águas do município de Tabuleiro do Norte.                
Poderíamos citar vários outros exemplos: uso indiscriminado de fertilizantes e agrotóxicos na agricultura; sistemas de monocultura intensiva na Chapada do Apodí e toda problemática associada, discutida até hoje nos bastidores dos movimentos sociais e acadêmicos; desmatamento da mata ciliar de rio, riachos e córregos, mais expressivamente nas margens do rio Jaguaribe, cuja degradação do ecossistema é intensificada ainda mais com a construção de imóveis residenciais e comerciais, a exemplo das próprias barracas construídas na margem, para não dizer no próprio leito do rio; lançamento de resíduos sólidos em lixão e terrenos baldios; lançamento de esgoto nas galerias pluviais e terrenos da periferia da cidade, cuja água, em muitos casos, é utilizada para produção de pastagem; drenagem urbana ineficiente, com alagamentos recorrentes nos últimos anos, intensificada pelo aterramento de bueiros, barramentos e assoreamento de canas de drenagem; etc.
Toda esta problemática socioambiental apresentada e que reflete a realidade do nosso município só será resolvida por meio da gestão pública: seja por motivação própria ou por pressão da comunidade. As duas possibilidades são igualmente difíceis e depende de que ou a gestão pública ou a comunidade ou ambas descubram uma nova maneira de ver a sociedade, dentro de um contexto ambiental, cultural, econômico e social mais amplo. O grande problema é que o plano de governo geralmente não é um plano integrado para o desenvolvimento holístico do município e sim plano de administração individual do gestor. Além disso, os projetos ambientais dificilmente têm início e fim dentro de quatro ou oito anos de mandatos e, que sob os arranjos culturais da política atual, não é de interesse do gestor da oposição em continuá-los na sua gestão.
O outro problema fundamental é a falta de participação da comunidade: seja na escolha de candidatos com perfil direcionado às diversas áreas de interesse social (educação, saúde, habitação, segurança, meio ambiente, moradia, etc.) e atualizado com as mudanças da sociedade; seja na fiscalização e na cobrança da efetivação da gestão pública; seja na ação cidadã de cooperar para um mundo mais sustentável, diverso, humanitário e pacífico.  
O rumo da solução para garantirmos a qualidade de vida no nosso município inicia com a busca de informações sobre os problemas inerentes ao desenvolvimento e bem-estar da comunidade. Além do mais, devemos assumir o compromisso de discuti-los e propor alternativas para contorná-los, exercendo desta forma nosso dever de cidadania. Depois, consciente dos desafios, elegermos representantes que compreendam e reconheçam estes problemas, sejam capazes de resolvê-los e tenham realmente a intenção de solucioná-los. A partir de então, a comunidade tem que atuar como fiscalizadora e colaboradora para que os objetivos coletivos sejam alcançados da maneira mais democrática possível.
Reconheço que esta receita, aparentemente fácil, é ainda muito utópica para a realidade política do nosso país, mas é um caminho alternativo a ser percorrido. São os nossos direitos e deveres que estão em jogo, jogo este para o qual muitas vezes não entendemos as regras e, justamente por isso, não nos damos conta que estamos envolvidos em cada jogada.

(por: Paulo Lima)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Texto: Reflexões oportunas

Não tenho nenhum compromisso com religião, apenas com Deus. Sou apartidária e apolítica, tampouco faço apologia a questões administrativas, pois não quero parecer seguidora de A ou B. Apesar de alguns de meus irmãos serem amantes das questões políticas, eu, particularmente, só procuro discernir o bem do mal, nas ações daqueles que fazem a política.
Os artigos que escrevo para o Jornal da Câmara de Tabuleiro do Norte expressam meramente os meus pensamentos. Todos os comentários contidos são exclusivamente de minha responsabilidade e refletem com exclusividade o meu ponto de vista sobre determinados temas que, na maioria das vezes, prendem-se a questões educacionais ou culturais do nosso município.
Jamais escrevo para impor soluções para os problemas, nem tampouco determinar proposições que polemizem os assuntos ou estimulem debates acalorados. Sei que penso muitas vezes de maneira diferente. Nas minhas colocações, não pretendo está sempre certa. Contudo, não tenho medo de está errada.
Faço questão de dizer que sou de Tabuleiro do Norte. Nasci e morei a minha vida inteira neste município. Tenho muito orgulho disso. Sou filha de uma tradicional família tabuleirense. A família “Gadelha”.
Conheço quase todos os problemas de Tabuleiro de perto. Posso assegurar que sei, com propriedade, os porquês de certas coisas. Por amá-lo demais, não alimento nenhuma pretensão de um dia deixá-lo. Talvez seja este sentimento que me leva como cidadã a acreditar que o meu Tabuleiro está precisando de reflexões que realmente façam a diferença na vida de sua população.
A insegurança em Tabuleiro do Norte já não é sem fundamento. Creio que somos, de fato, um dos municípios mais violentos do estado do Ceará. A quantidade de roubos, assaltos e assassinatos atingem números alarmantes. O total das perdas causadas pela criminalidade é incalculável. “Como medir o valor de uma vida para os familiares de uma vítima de assassinato?"
As explicações para o fenômeno do crime, aqui em Tabuleiro, são inaceitáveis. A questão básica da criminologia está sendo invertida. O culpado está sendo quem morre e não quem mata. As explicações são as mais banais: “ele falava muito, ele sabia de coisa, ele isso ou aquilo...”
Hoje, o povo tabuleirense vive sobre a sombra do medo. Porém não podemos fechar nossos olhos diante da realidade que nos atormenta. Um esforço emergencial é necessário para enfrentar a cultura do crime, que se implantou em Tabuleiro do Norte, caracterizando-se como um verdadeiro apagão do capitalismo da sociedade humana.
Isso muito me amedronta. Cada vez mais estão incompreensíveis as mortes ocasionadas sem serem desvendados os verdadeiros motivos.
Aqui a minha reflexão: Caro leitor, ou precisamente caro tabuleirense, os homens públicos não deveriam ser exatamente essas pessoas com sentimento para resolver esta situação escabrosa do nosso município? E como tal, não seriam eles que deveriam nos sinalizar as mudanças, neste cenário? Caso contrário, devemos nos conformar? E a indignação, a única coisa que nos resta, deve aderir ao canto de lamentação? “ O crime, em Tabuleiro do Norte, vai se institucionalizar! A vida está banalizada!”
Não! Para mim é incompreensível que fatos como estes devam ser engolidos sem questionamentos das autoridades constituídas.
Frente à iminência das eleições municipais, uma pergunta não quer calar. Algum dos prováveis candidatos a prefeito de Tabuleiro do Norte já definiu, em seu programa de governo, políticas publicas de combate à criminalidade no município? Por ventura, algum dos candidatos aponta alguma alternativa para enfrentamento da violência, em Tabuleiro do Norte? Fica aqui uma sugestão por conta da aproximação das eleições: a realização de um debate público sobre esta questão.
Enfim, desejo do fundo do meu coração, que as minhas palavras estejam em plena sintonia com o anseio de nosso povo. Felicidades para todos aqueles que estão na guerra contra quem apoia a destruição da vida.
A nós, tabuleirenses, resta o silêncio e esperar!
Acorda, Tabuleiro!

(por: Mundilza Viana)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Texto: Revitalização da Praça de Eventos

Ao ler o informativo da Câmara Municipal de Tabuleiro do Norte, edição setembro-outubro/2011, pude observar a insatisfação do vereador Rafael Maia com o estado de abandono da Praça da Juventude.
“Uma importante praça do nosso Município se encontra em um verdadeiro estado de abandono. É triste para os nossos munícipes testemunhar uma importante obra, que visa tirar os jovens da rua, encontrar-se em tal estado de abandono...”, disse o vereador.
Aqui gostaria de reportar-me também à Praça de Eventos. Se antes, em um passado tão recente, esta praça, de um modo geral, era marcada pela distribuição do verde, hoje, a falta de assistência está comprometendo o ambiente. Em lugar do verde anteriormente predominante, o que se vê agora são plantas secando e a grama escassa morrendo por falta de cuidado.
Esta área de uso diverso e especial reforça a necessidade de conservação da sua beleza, pois a não preservação da mesma demonstra a relação nada harmoniosa da nossa cidade com a natureza.
Sabe-se que o verde assume uma função importante, sobretudo nas zonas urbanas. Assim, torna-se imperativo a revitalização da Praça de Eventos a fim de que o meio ambiente urbano deste município não se torne cada vez mais degradado.
“As áreas verdes públicas constituem-se elementos imprescindíveis para o bem-estar da população, pois influencia diretamente na sua saúde física e mental”

(por: Mundilza Viana)

sábado, 21 de janeiro de 2012

Texto: Sobre Luiza

         Um bando de alienados. Isso mesmo. Primeiro um monte de gente fala de uma coisa, de uma pessoa que não sabem nem o que é e o que significa (ou não significa). Isso vira sensação nacional. Depois todos: "- Não, não, o que o Carlos Nascimento falou é que é legal, vamos compartilhar, curtir!" E aquela sensação toda passa. E passa por que? Porque não tem importância pra ninguém. Não muda a vida de ninguém, a não ser a dela e de sua família. 

     O que eu queria, de todo coração, era ver as pessoas formando sua própria opinião, seu próprio questionamento a respeito, não de assuntos como estes que temos visto, tão sem importância, mas sobre assuntos de relevância, e olha que não me refiro a questões sociais, ambientais ou políticas de ordem nacional não, até poderia ser também. Falo apenas de esperar das pessoas que elas pensem um pouco mais por si mesmas sobre aquilo que está mais perto de si. Tem tanta coisa pra gente resolver, criticar, tentar mudar e melhorar. Passe 30 minutos sentado na praça de sua cidade em um dia de movimento e vai encontrar pelo menos 5 assuntos de alta relevância pra sua comunidade, cidade, meio de vivência. Mas isso nós não comentamos, compartilhamos, muito menos curtimos. Sabe o que fazemos? Nada, isso mesmo, absolutamente nada. E esse ATIVISMO CIBERNÉTICO POP que temos visto não resolve nada. Vamos cair na real meu povo. Vamos logo descobrir o potencial de mudança de que somos portadores.


     A internet é um espaço onde se pode criar discussões, movimentar opiniões, saber quem tem interesse em quê. Através desse espaço podemos nos articular em prol de alguma mudança. Vamos aprender a usar esse espaço melhor. 

(por: Alisson Chaves Matos)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Texto: Pânico Coletivo

Não é sobre Tabuleiro, mas reflete a realidade política do nosso Estado...          

              No romance “Ensaio Sobre a Cegueira”, do escritor português José Saramago, a sociedade entra em caos após todos os habitantes, exceto uma pessoa, ficar cega. Acometidos pela cegueira, os habitantes passam a regredir para comportamentos humanos primitivos, despidos de conduta moral e preceitos sociais, apesar de sentimentos benéficos prevalecerem para algumas pessoas, principalmente para a única habitante que não ficou cega.

            A referência a esta obra, que propôs analisar as relações sociais em condições adversas, foi motivada por uma realidade que nunca pensei presenciá-la: o caos urbano em Fortaleza, após a greve da polícia militar do Estado do Ceará. Inicialmente, ficamos preocupados com a segurança no aterro da praia de Iracema, uma vez que a categoria dos policiais militares e do corpo de bombeiros já havia instalado a greve.  Sob a segurança da Força Nacional, o réveillon em Fortaleza foi aparentemente tranquilo. Particularmente, vi apenas uma movimentação estranha durante a virada de ano, algo instantâneo e efêmero, nada que causasse pânico. Até a ida para casa, caminhado entre as ruas de Fortaleza, não pareceu perigosa. Sentia que a greve não afetaria nossas vidas. Passada a comemoração de virada de ano, na qual me lembro claramente da vaia quase tradicional que a prefeita de Fortaleza sofreu, não ouvíamos nada de excepcional sobre a greve instalada. Até que os jornais policiais e até mesmo os veículos de comunicação mais imponentes noticiaram sucessivas ocorrências de arrastões nos bairros mais periféricos da cidade. Ninguém imaginava, porém, que isto seria o início de uma histeria coletiva que ecoava medo além das fronteiras do município de Fortaleza e chegaria a cidades do interior do Estado do Ceará. Desconfiando da mídia, digeri a notícia com certa naturalidade, até o momento que tive que sair de casa. Fiquei perplexo ao notar que às 14:30 h, em plena terça-feira, as lojas da Av. Monsenhor Tabosa estavam quase que totalmente fechadas, enquanto observava os rostos melindrados dos pedestres. Esperei o transporte coletivo mais do que o dobro do tempo normal, desistindo, dessa forma, de ir ao local programado. Voltei para casa sem saber qual sentimento me dominava. Além da sensação aguçada de insegurança, outras lembranças e argumentos se conflitavam em meu raciocínio breve. Primeiro, porque a categoria que defende a greve no momento foi coadjuvante da agressão aos professores da rede estadual de ensino, quando pelas mesmas razões, que se digam justas, instalaram a greve. Neste caso, podemos relevar que os policiais cumpriam ordens do governo, mas violência não se justifica. Depois, penso o quão pouco é o salário do policial, que convive diariamente com o perigo. Seguindo minha confusão mental, vêm à mente os relatos constantes de falta de preparo, abuso de autoridade e participação em crimes, de homens fardados, cuja missão seria nos proteger da criminalidade. No entanto, seria infeliz da minha parte extrapolar a conduta desviada de alguns para toda a categoria. A verdade é que as greves que inundam o desgastado governo do Estado, descrença local intensificada pela administração “Fortaleza Bela”, tem razões justas e fundamentais para a valoração das categorias reivindicadoras, embora as estratégias de conseguir visibilidade e apoio da população acabam por prejudicar a própria comunidade, a exemplo da greve dos policiais sob a qual a população se encontra desprotegida e vulnerável às ações de criminalidade. Isto nos leva a reflexão de como estamos susceptíveis ao caos, à desordem, à brutalidade humana. Um governo que deveria aplicar a arrecadação dos nossos impostos para a melhoria dos serviços públicos, se cerca da segurança da Força Nacional e nos deixa desprotegidos, vulneráveis ao acaso. Meu desejo é gritar: fora Cid Gomes!!!


(por: Paulo Lima)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Texto: Guerras em torno da voz - Interdição da rádio Nativa FM

“Não há discurso neutro”: essa é a máxima primeira da Análise do Discurso. Toda voz que se ergue, o faz em nome de interesses políticos e ideológicos. É por isso, então, que me utilizo desse espaço para ressaltar a necessidade de pensarmos mais detidamente o embate em que se vê envolvida, como centro da questão, a Rádio Nativa FM. Antecipo que, particularmente, penso que a interdição da Rádio representa uma enorme PERDA. Mas: QUEM PERDE MESMO COM A INTERDIÇÃO DA RÁDIO? PERDE O QUÊ? COMO? POR QUÊ?

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Texto: Meu Tabuleiro!

           Neste período em que se aproxima o aniversário da tua emancipação política me visto de felicidades para te homenagear. A dimensão de minha alegria em escrever sobre ti não tem limites. Tu estás entranhada no meu ser. Terra maravilhosa que enche de orgulho não somente aqueles que em teu solo nasceram, assim como eu, mas também os que aqui chegaram vindos de longe, ou de perto, e te adotaram como lugar do coração. Tu és, Tabuleiro, dona de uma inexplicável magia que envolve e fascina a todos que te conhecem.
Tabuleiro, várias pessoas já se debruçaram sobre ti para enaltecer teus encantos, falar da tua gente forte e hospitaleira, dos teus sonhos, tuas belezas, teu sol intenso, teus embates, tuas desigualdades e do bravo caminhoneiro.
A revelação de um Tabuleiro que cresce e se espanta com o próprio progresso, mas cuja vocação profissional do teu povo é ser caminhoneiro. Tabuleiro de tantos nomes, Tabuleiro de Areia, Ibicuipeba, Joaquim Távora que a tua gente transformou em Tabuleiro do Norte.
A tua história, Tabuleiro, passa pelas tuas ruas principais, pela tua maltratada periferia, pela conhecida Baixada, o point da galera, pelas várias preferências religiosas, pela dedicação de teus mais diversos profissionais e, principalmente, pelos teus caminhoneiros, estes amigos da estrada que fazem com que tu sejas notoriamente conhecido na esfera nacional. Enfim, a tua história passa pelos teus amanheceres e entardeceres.
Teu povo dá o testemunho da tua desigualdade social, mas, também, da harmonia e do aconchego da tua gente simples, genuinamente acolhedora.
Falar de ti, Tabuleiro, é fácil. O difícil é compreender esta falta de planejamento em algumas de tuas ruas, esta poluição sonora que rouba o silêncio das reflexões de tua gente, esta “valentia” às avessas de alguns tabuleirenses que só enodoam o teu nome. Ah, Tabuleiro! É preciso amá-lo com paixão, como eu, para não se sentir incomodada com os teus esgotos correndo a céu aberto, tendo ciência do grande malefício que isto causa a tua população.
Apenas por te amar é que aceito o teu centro viver mergulhado num verdadeiro caos. Os sinais de trânsitos colocados às vésperas da última eleição municipal e até hoje sem funcionar, aliados a um trânsito caótico que inferniza a vida do cidadão que, embora pague seus impostos, é obrigado a aceitar passivamente que “tudo isto faz parte do teu acelerado progresso”.
Tabuleiro, custa-me compreender aqueles que se dizem teus representantes e que só na hora de pedir votos é que aparecem (e depois somem) ocasião em que, convenhamos, têm que se mostrar para apertar mãos e dar tapinhas nas costas das pessoas e beijinhos nas crianças. Afinal, isto faz parte do ritual de campanha política!
É, Tabuleiro, só mesmo quem te ama é que pode conhecer os segredos que tua beleza revela. E, em teu nome e de tua belíssima história, pedir que os responsáveis por tua gestão impulsionem cada vez mais o teu desenvolvimento estrutural e social. Que teus gestores, os que aí estão e os que virão, participem ativamente das novas transformações vivenciadas por ti e procurem resolver com mais rigor as tuas verdadeiras inquietações.
Somente por que te amo, Tabuleiro, é que desejo ardentemente um projeto mais arrojado de urbanização para ti. Que tu tenhas políticas de reais soluções para os teus problemas de saúde, educação e segurança e que acima de tudo, sejas um município de referência para a Região Jaguaribana.
Finalmente, só por que te amo, Tabuleiro, gostaria de dizer-te,
francamente
: por que não amar os teus defeitos? Também é simples, não custa nada! Seria tão-somente mais um sentimento exacerbado de bairrismo? Eis o âmago da questão!


(Texto escrito em maio de 2011 por Mundilza Viana)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Texto: História que me contaram - Homenagem aos 53 anos de emancipação política


Não vi você nascer, mas me contaram muito sobre o seu nascimento. Não fotografaram os primeiros anos de sua existência, mas me contaram que era um tabuleiro de areia, coberto pela vegetação de caatinga, ladeada pelo xique-xique e mandacaru, exibindo também em sua paisagem natural carnaubeiras, oiticicas e juazeiros, seivados pelas águas do rio Jaguaribe, que, em seu percurso, alimenta e é alimentado por riachos, açudes e lagoas, no convívio harmônico entre homem e natureza.
Não registraram o número de pessoas que habitavam neste tabuleiro nascente, mas me falaram dos nativos, tribos indígenas, cujas reservas deram o nome a vários aglomerados rurais como: Água Suja, Tapuio, Tapera, Aldeia Velha, entre outros.
Contaram-me, que nos idos de 1720, você nascia sobre as bênçãos de Nossa Senhora das Brotas, uma santa portuguesa, milagrosa, conhecida em terras brasileiras através de um sonho que virou promessa e depois devoção.
Foi sobre essa devoção que se fixaram, nos tabuleiros de areia, as raízes de um povo simples, religioso, bravo, que encontrava alegria em tudo que fazia, até no árduo trabalho com o cultivo de produtos para subsistência. A atividade agrícola, baseada na agricultura e pecuária, representava o modo de produção da pequena comunidade.  Tudo isso foi imprescindível para a construção de sua identidade, de povo hospitaleiro, pacífico, trabalhador, honesto e solidário, onde os valores, socialmente construídos, tendo Deus como essência espiritual.
Duzentos anos depois, em 1920, surgem as primeiras atividades comerciais, onde os comboieiros transportavam, do Cariri ao Jaguaribe, os produtos comercializados como açúcar, café, dentre outros, que satisfaziam as necessidades básicas da população, modelando, assim, o espaço geográfico e definindo seu espaço urbano. Décadas depois, descobriu-se a vocação para a indústria, e, no pequeno tabuleiro de areia, começou a descobrir um potencial humano capaz de dar início ao progresso comercial e industrial que temos hoje.
Tabuleiro de muitos nomes como: Fazenda São José, Tabuleiro de Areia, Joaquim Távora, Ibicuipeba. Tabuleiro de muitas mãos. Tabuleiro de muitos sonhos e de múltiplas inteligências. Hoje, Tabuleiro do Norte.
Passaram mais de duzentos anos sob o domínio político-administrativo dos municípios de Aracati, Russas e, posteriormente, de Limoeiro do Norte, do qual foi distrito durante muitas décadas e que ajudou a construir seu progresso, interferindo de forma significativa no seu desenvolvimento econômico, político e cultural.
Seus filhos deixaram marcas desenhadas no tempo e no espaço. Marcas da bravura, da religiosidade e da fé, que são marcos de sua história. O tempo passou, novas gerações assumiram a caminhada dos que aqui fixaram raízes e acreditaram na sua prosperidade. São os novos atores de sua história. Os desejos, os sonhos, as lutas em prol de sua autonomia política eram intensos.  O povo escolheu seus representantes e juntou-se a eles na luta e num só grito: INDEPENDÊNCIA!  E, somente em 1958, você adquire sua autonomia, sua maioridade. Você consegue libertar-se dos desígnios de Limoeiro do Norte, você conquista a sua emancipação política, você torna-se capaz de assumir as rédeas desse espaço geograficamente tabuleirense, construído pelas mãos de todos que aqui nasceram ou chegaram. Abençoado por Nossa Senhora da Brotas, sua excelsa padroeira, construíram famílias, cultuaram valores como religiosidade, respeito, paz, solidariedade, exemplos estes transferidos às gerações posteriores.  
Neste seu cinqüentenário terceiro anos de glória, reconheço e parabenizo os atores sociais desde aqueles que deram início a sua história nos idos de 1720, aos que lutaram pela sua emancipação política nos idos de 1958 e todos aqueles que trabalham e se orgulham de ser tabuleirenses e que, com dignidade, constroem o TABULEIRO DO PROGRESSO.

(por: Irene Moreira de Freitas Lima)

Greenpeace: Desmatamento Zero!!!