Não tenho nenhum compromisso com religião, apenas com Deus. Sou apartidária e apolítica, tampouco faço apologia a questões administrativas, pois não quero parecer seguidora de A ou B. Apesar de alguns de meus irmãos serem amantes das questões políticas, eu, particularmente, só procuro discernir o bem do mal, nas ações daqueles que fazem a política.
Os artigos que escrevo para o Jornal da Câmara de Tabuleiro do Norte expressam meramente os meus pensamentos. Todos os comentários contidos são exclusivamente de minha responsabilidade e refletem com exclusividade o meu ponto de vista sobre determinados temas que, na maioria das vezes, prendem-se a questões educacionais ou culturais do nosso município.
Jamais escrevo para impor soluções para os problemas, nem tampouco determinar proposições que polemizem os assuntos ou estimulem debates acalorados. Sei que penso muitas vezes de maneira diferente. Nas minhas colocações, não pretendo está sempre certa. Contudo, não tenho medo de está errada.
Faço questão de dizer que sou de Tabuleiro do Norte. Nasci e morei a minha vida inteira neste município. Tenho muito orgulho disso. Sou filha de uma tradicional família tabuleirense. A família “Gadelha”.
Conheço quase todos os problemas de Tabuleiro de perto. Posso assegurar que sei, com propriedade, os porquês de certas coisas. Por amá-lo demais, não alimento nenhuma pretensão de um dia deixá-lo. Talvez seja este sentimento que me leva como cidadã a acreditar que o meu Tabuleiro está precisando de reflexões que realmente façam a diferença na vida de sua população.
A insegurança em Tabuleiro do Norte já não é sem fundamento. Creio que somos, de fato, um dos municípios mais violentos do estado do Ceará. A quantidade de roubos, assaltos e assassinatos atingem números alarmantes. O total das perdas causadas pela criminalidade é incalculável. “Como medir o valor de uma vida para os familiares de uma vítima de assassinato?"
As explicações para o fenômeno do crime, aqui em Tabuleiro, são inaceitáveis. A questão básica da criminologia está sendo invertida. O culpado está sendo quem morre e não quem mata. As explicações são as mais banais: “ele falava muito, ele sabia de coisa, ele isso ou aquilo...”
Hoje, o povo tabuleirense vive sobre a sombra do medo. Porém não podemos fechar nossos olhos diante da realidade que nos atormenta. Um esforço emergencial é necessário para enfrentar a cultura do crime, que se implantou em Tabuleiro do Norte, caracterizando-se como um verdadeiro apagão do capitalismo da sociedade humana.
Isso muito me amedronta. Cada vez mais estão incompreensíveis as mortes ocasionadas sem serem desvendados os verdadeiros motivos.
Aqui a minha reflexão: Caro leitor, ou precisamente caro tabuleirense, os homens públicos não deveriam ser exatamente essas pessoas com sentimento para resolver esta situação escabrosa do nosso município? E como tal, não seriam eles que deveriam nos sinalizar as mudanças, neste cenário? Caso contrário, devemos nos conformar? E a indignação, a única coisa que nos resta, deve aderir ao canto de lamentação? “ O crime, em Tabuleiro do Norte, vai se institucionalizar! A vida está banalizada!”
Não! Para mim é incompreensível que fatos como estes devam ser engolidos sem questionamentos das autoridades constituídas.
Frente à iminência das eleições municipais, uma pergunta não quer calar. Algum dos prováveis candidatos a prefeito de Tabuleiro do Norte já definiu, em seu programa de governo, políticas publicas de combate à criminalidade no município? Por ventura, algum dos candidatos aponta alguma alternativa para enfrentamento da violência, em Tabuleiro do Norte? Fica aqui uma sugestão por conta da aproximação das eleições: a realização de um debate público sobre esta questão.
Enfim, desejo do fundo do meu coração, que as minhas palavras estejam em plena sintonia com o anseio de nosso povo. Felicidades para todos aqueles que estão na guerra contra quem apoia a destruição da vida.
A nós, tabuleirenses, resta o silêncio e esperar!
Acorda, Tabuleiro!