Convite à comunidade tabuleirense

Não temos a pretensão e nem imagem tradicional de militante político, cultural, ambiental e esportista. No entanto, pensamos e quem pensa criticamente e busca informações honestas não consegue conviver com a negligência nestas áreas de interesse. Este blog é uma maneira particular de exercitarmos nossa cidadania e divulgarmos os nossos pensamentos nas áreas de política, cultura, meio ambiente e esporte. Além do mais, a razão deste blog é incrementar discussões sobre política, cultura, meio ambiente e esporte referentes ao município de Tabuleiro do Norte. Assim, convidamos a todos os amigos do nosso querido "torrão sempre amado", sem distinção política, religiosa, de cor, de gênero, de classe social, etc., para interagir e acompanhar as postagens. É pretensão nossa postar textos, poesias, imagens e notícias. Sugiro também a quem quiser colaborar com estes formatos de comunicação e expressão que estaremos recebendo-os e analisando-os, através do e-mail: cirandadeverbo@gmail.com. Esperamos que participem e apreciem da melhor maneira possível e sigam este novo caminho. Felicidades!!!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Poesia: Sopro das noites inesquecíveis

Os mais velhos contavam histórias
enquanto as estrelas lastravam o céu.
À luz da lamparina, a conversa exaltada das visitas,
o café cheiroso e o fumo impregnando o ar.
Havia contos de fadas,
leitura de cordéis,
e histórias terríveis para amedrontar.


Besouros cercavam a luz
como se esta fosse o próprio alimento,
ou talvez quisessem nela alargar suas vidas quiméricas.
A repentina inquietação do gado,
o tilintar desordenado dos chocalhos,
os cães ladrando,
tudo, enfim, era uma canção harmônica
que as partituras não registram.


Ah, aquele alpendre era um país!
Uma nação inteira passada a registro
à custa de línguas santas e ferinas.
Há de existir algum meio,
alguma fórmula ou prescrição,
de algum dia voltar a sentir
o âmago, quem sabe o êxtase,
daquelas noites sem fim.

(Por: Francinilto Almeida)

quarta-feira, 28 de março de 2012

Texto: Modelos de desenvolvimento


A evolução social, concernente às transformações na melhoria da qualidade de vida das comunidades, está diretamente relacionada ao aperfeiçoamento da habilidade do homem de modificar o espaço local e aos procedimentos para processar e utilizar os recursos disponíveis. Contudo, essa evolução é questionada, pois apenas parte da população tem acesso facilitado aos produtos e serviços proporcionados pelos avanços científicos, tecnológicos, industriais e pelo modelo econômico neoliberal. Discute-se, todavia, que a modernização social encontra um contraponto no modelo atual de desenvolvimento, no qual a utilização indiscriminada dos recursos naturais e a geração cada vez maior e diversificada de resíduos comprometem o equilíbrio ambiental do planeta, a saúde pública e o bem-estar social.
Entretanto, as cidades continuam enveredando pelo mesmo modelo de crescimento econômico adotado pelos países ditos desenvolvidos e em processo de desenvolvimento, no qual o critério de negociação do “toma lá, da cá” acaba prevalecendo. E essa não é uma verdade apenas das grandes cidades. Em um modelo globalizado de relações internacionais, tanto os pequenos como os grandes agregados urbanos funcionam por meio de um sistema ramificado de modelos econômicos padronizados. Estes modelos são, muitas vezes, elaborados a partir de cópias e adaptações de políticas, objetivos, estratégias e processos de países com realidades distintas e até opostas, e, por isso, estão sujeitos a falharem, quando aplicados a nossa realidade. Por outro lado, modelos mais dinâmicos e sustentáveis, como o eco-desenvolvimento, são discutidos pela eficiência do marketing político, mas não implementados com a real importância e urgência.         
Dificilmente, seja em pequenas cidades ou grandes metrópoles, encontramos iniciativas corajosas, que compartilham benefícios coletivos, como os resultados de projetos de desenvolvimento sustentável, cuja formatação respeita os critérios de planejamento, a justiça social dos trabalhadores e residentes, a proteção ambiental e o equilíbrio ecológico, sem que, por outro lado, causem prejuízo ao potencial econômico do empreendimento ou atividade proposta. Porém, o que habitualmente vemos é o estabelecimento do contraditório: indústrias para o desenvolvimento local, mesmo que a poluição comprometa a qualidade de vida da população. O bem-estar social, o ar puro e a qualidade de vida das pequenas cidades brasileiras cedem espaço à industrialização tradicional, preocupada em lucro e status. Além do mais,  algumas medidas mitigadoras adotadas pelas empresas ou atividades potencialmente poluidoras são conseqüências de exigências da Política Nacional de Meio Ambiente, através dos órgãos de controle ambiental e não, em sua grande maioria, como resultado ou manifestação da consciência e/ou sensibilidade ambiental dos empreendedores.
As atividades humanas, sejam elas industriais, comerciais ou serviços, têm sua importância nas transformações do espaço e nas relações sociais das comunidades. Por outro lado, o crescimento econômico poderá alcançar estabilidade com um modelo mais sustentável, longe da especulação de que isto seja idealismo.
Os impactos ambientais internacionais, como somatório das degradações locais, refletem atualmente no conceito de mudanças climáticas globais, previstas pelos ambientalistas, em décadas anteriores, e rejeitado pelos desenvolvimentistas como sendo uma previsão radical. Hoje, sabemos da gravidade planetária das conseqüências do desenvolvimento predatório e, conhecedores desta verdade, ainda aceitamos passivamente os mesmos caminhos, justificativas e discursos desenvolvimentistas. Ao contrário disto, devemos buscar o equilíbrio entre as atividades humanas, a qualidade ambiental e a saúde pública no âmbito das comunidades locais. 
Para termos uma noção da realidade que nos cerca, basta a nós analisarmos as atividades, empreendimentos e serviços realizados no nosso município, no nosso bairro ou na nossa região, do ponto de vista da sustentabilidade. Com muita verdade, veremos que o discurso ambiental de desenvolvimento sustentável, se existir, estará encorajada pela máscara verde, que  oculta os reais motivos de seu discurso: exigências burocráticas de agentes financiadores ou de entidades parceiras, fiscalizadoras ou gestão pública (ou obtenção de selos verdes e certificações ambientais). Isto não significa que, no atual nível de discussões ambientais, não possamos encontrar ações práticas de conservação por meio daqueles que utilizam os recursos naturais para produção de bens de consumo e prestação de serviços. 
O mundo está mudando! A sensibilização é "imposta" pelos distintos meios de comunicação! A conscientização, por sua vez, é mais lenta e resistente e é esta velocidade de apreensão e compreensão dos desafios ambientais que preocupa a quem desconfia das consequências dos impactos ambientais para o futuro de nossas vidas.   

(por: Paulo Lima)

domingo, 18 de março de 2012

Texto: Até quando ficar debaixo d'água?

A chuva é um fenômeno mágico para quem precisa esperar a maior parte do ano para vê-la desfiar no céu e resfriar o ambiente, senti-la molhar o chão e, aqui no bioma Caatinga, mudar a cor da natureza, cobrir o solo e as árvores de tonalidades verdes. Poderíamos, facilmente, construir este texto apenas com o sentimento de valor que, nós sertanejos, sabemos deliciar por sina. Por outro lado, as chuvas podem nos trazer desconfortos, muitos dos quais não refletem apenas a força da natureza, mas também a falta de conhecimento, compreensão, planejamento e gestão de alguns processos naturais decorrentes das chuvas e que podem ser manejados pelo homem. Não temos o controle das chuvas, não temos como evitar precipitações torrenciais, nem temos ainda um sistema ideal de previsões de chuvas, que nos forneça previsões para um período maior de tempo. Apesar dessa fragilidade e impotencialidade que temos diante dos eventos naturais, podemos utilizar de conhecimentos práticos e teóricos para reduzir a vulnerabilidade da paisagem e o risco potencial de eventos extremos de chuvas sobre as comunidades. Muitos desastres ou fenômenos naturais que causam inconveniência para os habitantes de um determinado local poderiam ser evitados por meio de medidas mitigadoras e gestão adequada dos sistemas hídricos. Não é segredo para ninguém que a água que cai da chuva tem que escoar para algum lugar. É a partir desse movimento da água sobre o solo (e também abaixo da superfície do solo) que são formados os córregos, riachos e rios, cuja direção vai da parte mais alta para locais mais baixos da bacia hidrográfica (definida como a porção de terra limitada por obstáculos naturais, como serra e morro, e composta por uma rede de drenagem das águas da chuva).                    
Neste sentido, quando aterramos córregos, riachos, rios ou até mesmo pequenos canais de água podemos comprometer serviços da natureza, como a drenagem das águas de chuva. É o que acontece em áreas urbanas, nas quais o crescimento populacional foi desordenado e irresponsável. Para qualquer processo de ocupação e uso do solo, devemos nos valer de critérios norteadores que conduzem a resultados mais satisfatórios. O Zoneamento Ecológico e Econômico, o Plano Diretor de Uso e Ocupação do Solo e o Código de Obras e Postura são, entre outros, instrumentos legais imprescindíveis para o bom planejamento e gestão do uso e ocupação do solo no município. A partir deles, podemos identificar áreas adequadas para o estabelecimento de indústrias, de residências e de comércio e áreas prioritárias para preservação ambiental. Esta separação do ambiente urbano, em função das características de uso e ocupação do solo, visa estabelecer uma estrutura urbana equilibrada e permitir o pleno desenvolvimento dos serviços ambientais. Entre estes serviços, podemos citar a drenagem das águas de chuvas, necessária para o livre escoamento da água e imprescindível para a sadia qualidade de vida da população e manutenção dos ecossistemas aquáticos. Diante dos instrumentos legais citados, podemos identificar e mapear a rede de drenagem do município e elaborar um plano de gestão da drenagem da água. Este plano deverá resgatar, incorporar e respeitar os mecanismos naturais de drenagem, prejudicados pela interferência humana.
Neste sentido, acredito que parte da população tabuleirense tem conhecimento básico a respeito das chuvas, da drenagem da água e das conseqüências dos alagamentos e inundações. No entanto, estamos sujeitos ao acaso das forças da natureza e da falta de gestão da drenagem das águas das chuvas. Temos o riacho Quixeré (sistema hídrico que atravessa o município e, principalmente, a área urbana da cidade), que vem sofrendo com o desmatamento da vegetação de suas margens, aterramento do seu leito e degradação da qualidade da água com lançamento de óleo, esgoto e lixo. A reintegração do riacho resolveria boa parte dos problemas de drenagem da área urbana do município, mas, até o momento, o projeto de revitalização do Riacho Quixeré não foi implantado. Na verdade, a maior parte da vazão deste riacho é desviada para o córrego da Asa Branca, que não tem a capacidade de receber volumes elevados de água e acaba por comprometer, quase que anualmente, as regiões da cidade com topografia mais baixa. Somados a este problema, observamos outros interferentes da drenagem urbana de Tabuleiro do Norte: (01) o aterramento indevido de alguns bueiros da cidade (construção de imóveis); (02) o aterramento de pequenas lagoas, em terrenos de várzea, que serviam como área de amortecimento de águas das chuvas (construção de residências e indústrias); e o uso do córrego da Asa Branca com plantio de forragem para criação de ovinos e caprinos. Estas observações, reflexo da má administração dos sistemas hídricos e da falta de drenagem urbana, contribuem para as constantes inundações e alagamentos de imóveis no município de Tabuleiro do Norte.
Atualmente, o riacho Quixeré se encontra segmentado, sem haver fluxo de água entre alguns trechos. Toda a água que chega ao açude Tabuleiro, cuja barragem é também usada como a via de acesso ao Hospital do município, fica retida nele até seu completo enchimento. A água que excede o volume máximo do açude Tabuleiro deveria seguir o fluxo normal do riacho, pois o córrego da Asa Branca deveria ser apenas um caminho alternativo de para as águas resultantes de chuvas intensas. No entanto, a sangria do açude é desviada para o córrego da Asa Branca, o qual, como disse antes, não tem a capacidade de receber volumes elevados de água. Outro problema é evidenciado quando há o rompimento das barragens de alguns açudes do município, que contribuem para o aumento repentinamente do volume de água da Lagoa do Saco do Barro, que, por sua vez, sangra para dentro do riacho Quixeré, provocando inundações na área urbana adjacente. Estes são uns dos problemas evidentes de drenagem urbana do município.      
No entanto, apesar dos inconvenientes recorrentes de inundações e alagamentos, sofridos pelas inúmeras famílias tabuleirenses, o problema de drenagem urbana continua, sem que haja certeza de mudanças rápidas e efetivas na gestão hídrica do município.


(por: Paulo Lima)

terça-feira, 13 de março de 2012

CARTA CONVITE AOS TABULEIRENSES

MOVIMENTO RIACHO QUIXERÉ: A NATUREZA QUE NÃO QUEREMOS PERDER!


Amigos tabuleirenses, que ainda possuem na alma uma esperança inquieta de melhoria na qualidade de vida do nosso município, renasce do comodismo geral do qual vivemos o MOVIMENTO RIACHO QUIXERÉ: A NATUREZA QUE NÃO QUEREMOS PERDER. Esta reunião de mãos doadas em defesa do meio ambiente é reflexo da angústia que sentimos, enquanto cidadãos tabuleirenses, de ver, a cada dia, o avanço da degradação ambiental do riacho Quixeré, sem que haja ações reparadoras e preventivas dos poderes públicos e sem que haja o sentimento de perda e de revolta da comunidade. O riacho não é um esgoto, não é um terreno que se possa aterrar e construir casas, não é uma posse que o proprietário faz o que bem entender, não é o quintal de casa no qual se joga lixo e esgoto, não é uma área inútil. A lógica está invertida, talvez incitada por aqueles que querem que este sistema hídrico suma num estalar de dedos. Na verdade, o riacho Quixeré nos fornece, de graça, inúmeros serviços ambientais: é ele quem recebe e drena a maior parte da água das chuvas que cai e escoa sobre o município de Tabuleiro do Norte (porque será que em quase todos os períodos de chuva algumas residências e ruas ficam alagadas neste município?); é ele quem recebe a maior parte do volume de água dos inúmeros açudes do município quando estes sangram ou “arrombam”; nele se pode criar peixes, investir em turismo e criar áreas de lazer; as árvores de suas margens são representantes da nossa vegetação nativa e sua proteção implica na preservação desta vegetação e dos outros seres vivos associados a elas, como os pássaros; a vegetação ribeirinha também tem função de impedir o processo de erosão, assoreamento e contaminação do riacho; além do mais, o conjunto da vegetação, dos animais e do espelho de água deste riacho nos dá a possibilidade de usufruir da harmonia paisagística e do lazer contemplativo, ao mesmo tempo em que se pode realizar, nas suas proximidades, com segurança e vitalidade, o esporte ao ar livre, a educação ambiental, além de atividades como artesanatos, hortos para produção de mudas  e hortas comunitárias. Estamos deixando fluir de nossas mãos e de nossas vistas todo este potencial, por consequência do desmatamento da vegetação ribeirinha, do aterramento das margens e do leito deste sistema hídrico, da poluição por lançamento de óleo, esgoto e lixo, entre outros impactos. Esta pode ser a última oportunidade, da sociedade como um todo, de entender a importância de se preservar e recuperar o riacho Quixeré, sem que haja sensacionalismo, demagogia e radicalismos nestas palavras. O “Movimento Riacho Quixeré: a natureza que não queremos perder” não tem partido político, não representa ONG e não tem um líder: somos um grupo discutindo ideias, planejando ações e na iminência da prática.

Para que este grupo cresça, fortaleça-se e represente os interesses reais dos tabuleirenses, convidamos a todos para serem mais uma voz ativa deste movimento e integrar o grupo de articulação. Nossa primeira reunião será realizada no Centro Vocacional Tecnológico – CVT, às 09:00, do dia 17 de março de 2012. Aguardamos vocês com a esperança que nos movimenta.



Movimento Riacho Quixeré: a natureza que não queremos perder!

Tabuleiro do Norte – CE 

sábado, 10 de março de 2012

Informação: MOTO CLUBE TRILHAS DO VALE-CE


Galera de moto, no dia 17/03/2012 tem a grande trilha para Pau dos Ferros-RN. Essa trilha vai ter como percurso: saída na cidade de Tabuleiro do Norte, as 7:00 horas, em frente à Organização Guerreiro, passando pelo Olho D’Água, Potiretama, Iracema, Hema, Serra dos Bastiões, Ereré, Dr. Severiano, São Miguel, Coronel João Pessoa, Venha Ver, com destino final para Pau dos Ferros-RN. Para informações, falar com Belan Guerreiro (88)99643604, Gilmario Martins (88) 8818 4502 ou Erivanilson (88) 9964 0607.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Texto: A política e o meio ambiente

Faz algum tempo que deixei de acreditar que a resolução dos desafios ambientais passasse por outra vertente a não ser política. Tenho certeza que diante da ainda incipiente atuação dos movimentos ambientalistas locais, frente aos interesses políticos equivocados, as questões ambientais são postas em planos secundários nos inúmeros embates mostrados de forma menos calorosa pela mídia conservadora.
Inúmeros exemplos de degradação ambiental poderiam ser evitados por medidas mitigadoras ou de estacionalidade. Por exemplo, não precisaríamos indenizar vários imóveis construídos até 30 metros de cada margem do Riacho Quixeré se desde o início da sua ocupação irregular a gestão pública municipal tivesse empenhado a fiscalizar a construção de casas em Áreas de Preservação Permanente. Não o fez, e dessa forma os custos atuais de reparação dos danos serão muito maiores. Mesmo assim, sob entendimento da situação, ainda não há nenhuma medida séria e eficaz de preservação deste sistema hídrico tão importante para a qualidade ambiental urbana e para a drenagem das águas do município de Tabuleiro do Norte.                
Poderíamos citar vários outros exemplos: uso indiscriminado de fertilizantes e agrotóxicos na agricultura; sistemas de monocultura intensiva na Chapada do Apodí e toda problemática associada, discutida até hoje nos bastidores dos movimentos sociais e acadêmicos; desmatamento da mata ciliar de rio, riachos e córregos, mais expressivamente nas margens do rio Jaguaribe, cuja degradação do ecossistema é intensificada ainda mais com a construção de imóveis residenciais e comerciais, a exemplo das próprias barracas construídas na margem, para não dizer no próprio leito do rio; lançamento de resíduos sólidos em lixão e terrenos baldios; lançamento de esgoto nas galerias pluviais e terrenos da periferia da cidade, cuja água, em muitos casos, é utilizada para produção de pastagem; drenagem urbana ineficiente, com alagamentos recorrentes nos últimos anos, intensificada pelo aterramento de bueiros, barramentos e assoreamento de canas de drenagem; etc.
Toda esta problemática socioambiental apresentada e que reflete a realidade do nosso município só será resolvida por meio da gestão pública: seja por motivação própria ou por pressão da comunidade. As duas possibilidades são igualmente difíceis e depende de que ou a gestão pública ou a comunidade ou ambas descubram uma nova maneira de ver a sociedade, dentro de um contexto ambiental, cultural, econômico e social mais amplo. O grande problema é que o plano de governo geralmente não é um plano integrado para o desenvolvimento holístico do município e sim plano de administração individual do gestor. Além disso, os projetos ambientais dificilmente têm início e fim dentro de quatro ou oito anos de mandatos e, que sob os arranjos culturais da política atual, não é de interesse do gestor da oposição em continuá-los na sua gestão.
O outro problema fundamental é a falta de participação da comunidade: seja na escolha de candidatos com perfil direcionado às diversas áreas de interesse social (educação, saúde, habitação, segurança, meio ambiente, moradia, etc.) e atualizado com as mudanças da sociedade; seja na fiscalização e na cobrança da efetivação da gestão pública; seja na ação cidadã de cooperar para um mundo mais sustentável, diverso, humanitário e pacífico.  
O rumo da solução para garantirmos a qualidade de vida no nosso município inicia com a busca de informações sobre os problemas inerentes ao desenvolvimento e bem-estar da comunidade. Além do mais, devemos assumir o compromisso de discuti-los e propor alternativas para contorná-los, exercendo desta forma nosso dever de cidadania. Depois, consciente dos desafios, elegermos representantes que compreendam e reconheçam estes problemas, sejam capazes de resolvê-los e tenham realmente a intenção de solucioná-los. A partir de então, a comunidade tem que atuar como fiscalizadora e colaboradora para que os objetivos coletivos sejam alcançados da maneira mais democrática possível.
Reconheço que esta receita, aparentemente fácil, é ainda muito utópica para a realidade política do nosso país, mas é um caminho alternativo a ser percorrido. São os nossos direitos e deveres que estão em jogo, jogo este para o qual muitas vezes não entendemos as regras e, justamente por isso, não nos damos conta que estamos envolvidos em cada jogada.

(por: Paulo Lima)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Texto: Lutar quando é fácil ceder

           No ano de 1492, Cristóvão Colombo, financiado pela rainha da Espanha, prova que é possível seguir até terra firme numa rota seguindo na direção oeste, o que até então ninguém havia ousado tentar. Descobre ilhas, mas não chega até ao continente. Depois de uma segunda expedição pela nova rota, Colombo, com muito mais gente, aporta novamente nas ilhas com a ideia de construir o que chamava de “Novo Mundo”, o que não se realizou exatamente como ele havia idealizado.
Também financiada pelo reino da Espanha, uma nova expedição, liderada por Américo Vespúcio, chega ao continente novo. “Chegaram ao continente, como eu disse que era possível chegar”, afirmou Cristóvão depois de receber a notícia. A Coroa e a Inquisição imputa todo o mérito a Américo Vespúcio, enchendo o coração de Colombo de tristeza. Em uma conversa entre Sanchez, o então tesoureiro da Corte Real, e Cristóvão Colombo, afirma o tesoureiro com desprezo:
- Você é um sonhador.
- Olhe lá fora. O que você vê? – questiona Colombo.
- Eu vejo torres. Vejo palácios, campanários. Vejo civilização. E torres que chegam ao céu.
- Tudo é construído por pessoas como eu. Não importa o quanto você viva, há algo entre nós que nunca mudará: eu realizei, você não.
O lugar de Colombo na história só foi colocado graças à biografia escrita pelo seu filho Fernando.
*Tirado do filme “1492 – Conquest of Paradise”

            Imbuídos, não só desse espírito sonhador, mas também realizador de Cristóvão Colombo, e de tantos outros que o precedeu e que depois dele vieram, é que devemos nos articular de alguma forma pra tentar mudar o quadro que se revela diante de nossos olhos. Por muitas vezes temos passado atônitos pela vida, sem senti-la, sem nos assenhorar dela. Embriagados por um falso prazer, por uma falsa realização pessoal em que é preciso ter isso ou aquilo pra ser “estourado”. E quanto mais se tiver mais “estourado” é. São tantos questionamentos que devem ser feitos, começando por perguntar “por que” em tudo que se faz. Antes de qualquer ação pergunte-se: por que fazer isso?
            Tem muita coisa boa pra ser feita. E precisamos disso com urgência. Se você acha que não pode fazer algo grande, faça algo pequeno. Toda grande ação começou, um dia, apenas como uma ideia. É preciso realizar, já.

(por: Alisson C. Matos)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Texto: Reflexões oportunas

Não tenho nenhum compromisso com religião, apenas com Deus. Sou apartidária e apolítica, tampouco faço apologia a questões administrativas, pois não quero parecer seguidora de A ou B. Apesar de alguns de meus irmãos serem amantes das questões políticas, eu, particularmente, só procuro discernir o bem do mal, nas ações daqueles que fazem a política.
Os artigos que escrevo para o Jornal da Câmara de Tabuleiro do Norte expressam meramente os meus pensamentos. Todos os comentários contidos são exclusivamente de minha responsabilidade e refletem com exclusividade o meu ponto de vista sobre determinados temas que, na maioria das vezes, prendem-se a questões educacionais ou culturais do nosso município.
Jamais escrevo para impor soluções para os problemas, nem tampouco determinar proposições que polemizem os assuntos ou estimulem debates acalorados. Sei que penso muitas vezes de maneira diferente. Nas minhas colocações, não pretendo está sempre certa. Contudo, não tenho medo de está errada.
Faço questão de dizer que sou de Tabuleiro do Norte. Nasci e morei a minha vida inteira neste município. Tenho muito orgulho disso. Sou filha de uma tradicional família tabuleirense. A família “Gadelha”.
Conheço quase todos os problemas de Tabuleiro de perto. Posso assegurar que sei, com propriedade, os porquês de certas coisas. Por amá-lo demais, não alimento nenhuma pretensão de um dia deixá-lo. Talvez seja este sentimento que me leva como cidadã a acreditar que o meu Tabuleiro está precisando de reflexões que realmente façam a diferença na vida de sua população.
A insegurança em Tabuleiro do Norte já não é sem fundamento. Creio que somos, de fato, um dos municípios mais violentos do estado do Ceará. A quantidade de roubos, assaltos e assassinatos atingem números alarmantes. O total das perdas causadas pela criminalidade é incalculável. “Como medir o valor de uma vida para os familiares de uma vítima de assassinato?"
As explicações para o fenômeno do crime, aqui em Tabuleiro, são inaceitáveis. A questão básica da criminologia está sendo invertida. O culpado está sendo quem morre e não quem mata. As explicações são as mais banais: “ele falava muito, ele sabia de coisa, ele isso ou aquilo...”
Hoje, o povo tabuleirense vive sobre a sombra do medo. Porém não podemos fechar nossos olhos diante da realidade que nos atormenta. Um esforço emergencial é necessário para enfrentar a cultura do crime, que se implantou em Tabuleiro do Norte, caracterizando-se como um verdadeiro apagão do capitalismo da sociedade humana.
Isso muito me amedronta. Cada vez mais estão incompreensíveis as mortes ocasionadas sem serem desvendados os verdadeiros motivos.
Aqui a minha reflexão: Caro leitor, ou precisamente caro tabuleirense, os homens públicos não deveriam ser exatamente essas pessoas com sentimento para resolver esta situação escabrosa do nosso município? E como tal, não seriam eles que deveriam nos sinalizar as mudanças, neste cenário? Caso contrário, devemos nos conformar? E a indignação, a única coisa que nos resta, deve aderir ao canto de lamentação? “ O crime, em Tabuleiro do Norte, vai se institucionalizar! A vida está banalizada!”
Não! Para mim é incompreensível que fatos como estes devam ser engolidos sem questionamentos das autoridades constituídas.
Frente à iminência das eleições municipais, uma pergunta não quer calar. Algum dos prováveis candidatos a prefeito de Tabuleiro do Norte já definiu, em seu programa de governo, políticas publicas de combate à criminalidade no município? Por ventura, algum dos candidatos aponta alguma alternativa para enfrentamento da violência, em Tabuleiro do Norte? Fica aqui uma sugestão por conta da aproximação das eleições: a realização de um debate público sobre esta questão.
Enfim, desejo do fundo do meu coração, que as minhas palavras estejam em plena sintonia com o anseio de nosso povo. Felicidades para todos aqueles que estão na guerra contra quem apoia a destruição da vida.
A nós, tabuleirenses, resta o silêncio e esperar!
Acorda, Tabuleiro!

(por: Mundilza Viana)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Texto: Ecologia como foco da Educação Ambiental

Partindo-se de um histórico recente de discussão sobre a problemática ambiental e a reação da população diante dos impactos socioambientais, podemos inferir, superficialmente, sobre o grau de sensibilização e conscientização das pessoas a respeito desta problemática.
Em um momento crítico de degradação da natureza e de interferência continua no equilíbrio ecológico dos sistemas naturais, a ciência ainda caminha em passos custosos em direção a um arcabouço teórico, que explique os vazios intercalados do conhecimento, enquanto, por outro lado, a população direciona medidas práticas frágeis e limitadas.
No que diz respeito à reflexão da sociedade sobre as informações de natureza ambiental, observa-se uma resposta lenta por parte das pessoas, como se a responsabilidade sobre as causas dos problemas ambientais também não fosse atribuída a elas. Neste contexto, em se tratando de questões ambientais, a utilização dos fundamentos e estudos de ecologia, como possibilidade de difusão de conceitos e dados práticos, poderá aproximar as pessoas de sua história natural de vida, mostrando, entre inúmeras visões, o homem como componente da natureza e agente influenciador e influenciado no espaço e nas relações naturais. É imprescindível, portanto, resgatar a identidade do homem com o meio natural, tendo a educação ambiental como ferramenta fundamental, utilizando-se de conceitos e conteúdos práticos da área da ecologia.
A educação ambiental, difundida nos últimos anos, tem hoje respostas positivas quanto à elaboração e divulgação de informações e quanto ao processo de sensibilização da população, incitando o indivíduo a interiorizar a problemática ambiental e a construir sua conscientização. Estas respostas, através de uma análise superficial, podem ter sua causa na metodologia transdisciplinar utilizada pelos educadores de meio ambiente, que se utilizam de vários conceitos integradores de áreas temáticas distintas, somados à praticidade das observações e dos fenômenos cotidianos. Em virtude desta alternativa de ensino, o ser humano é capaz de se situar dentro de um contexto holístico de relações mais naturais e passivas e se compreender, com maior sensibilidade, como potencial fator de transformação, seja pelo aspecto negativo de degradação, seja pela vertente positiva da conservação da natureza.
Em linhas gerais, o conhecimento ecológico deveria ser usado como uma das ferramentas mais transformadora da educação ambiental, capaz de ampliar e qualificar a visão do ser humano diante do estágio crescente de degradação das relações socioambiental e do equilíbrio ecológico.
É difundido atualmente que a educação, como demanda imediata, é uma alternativa de longo prazo, com potencial de envolver as responsabilidades sociais, individuais e coletivas em medidas de mitigação dos impactos ambientais resultados das atividades humanas. Para tanto, esta educação deve tecer metodologia que consiga envolver um público alvo complexo, variando desde crianças até pessoas com experiências consolidadas de vida, integrando a diversidade de pensamentos e posições. Paralelamente, os estudos de ecologia e a prática efetiva de conservação do meio ambiente deveriam ser ampliados sensivelmente, na medida em que as alterações na paisagem e na qualidade ambiental dos ecossistemas estão sendo comprometidos aceleradamente.
Por fim, podemos concluir que a educação é um investimento essencial para o alcance de resultados positivos, diante de um futuro naturalmente imprevisível. Enquanto as ações práticas, embasadas por informações científicas, deverão ocorrer no presente, com o objetivo de retardar, no que for possível, os problemas socioambientais do mundo contemporâneo, a educação ambiental poderá também apresentar resultados em curto prazo, mas, geralmente, com a efetivação de ações pontuais e limitadas. Uma vez que a educação é um processo, com respostas demoradas de médio e de longo prazo, devemos tê-la como uma solução de futuro e, quanto à prática efetiva e global de educação ambiental, é evidente que estamos atrasados, enquanto as perdas ambientais/ecológicas se acumulam dramaticamente.  

(por: Paulo Lima)

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Texto: A Caatinga é a nossa Amazônia!!!

Há quanto tempo prendemos nossas atenções aos problemas que estão distantes da nossa realidade local ao nos referirmos às questões ambientais? Há quanto tempo nos preocupamos com o destino da Amazônia e sua biodiversidade sem nos importarmos com o nosso espaço de convivência: a “mata branca”, que se estende pelo sertão nordestino e que caracteriza o bioma caatinga?
 Não respeitamos e nem contemplamos a contento a nossa rica biodiversidade, por vislumbrarmos os animais e plantas da Amazônia como sendo aqueles que devemos preservá-los e respeitá-los. Não tenho dúvidas da imensa importância ecológica e ambiental que a Floresta Amazônica representa para o planeta e nem proponho recuarmos na luta pela sua preservação. O que chamo à devida atenção é que não devemos esquecer que a vegetação e os animais da caatinga compõem a “nossa verdadeira Amazônia”, com seu valor ecológico, ambiental, social, econômico e cultura, particular e incalculável.
Neste contexto, ao visualizarmos a paisagem sertaneja, composta de pequenas árvores (rústicas, retorcidas, algumas com espinhos e folhas espessas que caem), de rios, riachos e lagoas que secam sazonalmente, somados às características de um sol causticante, acreditamos ser a mesma um cenário desprovido de valores ecológicos e ambientais. Esta interpretação é o reflexo de como a educação ambiental foi trabalhada pela mídia, enaltecendo alguns biomas brasileiros como a Floresta Amazônia e o Pantanal e evitando a disseminação de informações sobre outros biomas fundamentais ao equilíbrio ecológico, como a Caatinga e o Cerrado, visão esta compartilhada pelo poder público brasileiro, que desde o tempo do Império, utiliza-se de práticas políticas emergenciais, a exemplo das construções de barragens e açudes como medida de convivência com a seca, não se preocupando com questões estruturais como acesso garantido à terra e à água.
Por outro lado, alguns programas com propósitos que valorizam e engrandecem o trabalho do sertanejo, com o resgate de práticas culturais e melhoramento de técnicas da agricultura tradicional, não atingem o êxito esperado, devido à falta de assistência técnica, gratuita e de qualidade, que atendam à demanda contínua e permanente dos pequenos agricultores.
Devemos aprender a conviver com a seca, resgatando e ampliando algumas práticas tradicionais de agricultura e técnicas aperfeiçoadas, como: o plantio direto, manejo sustentável do solo (evitando queimadas), utilização de cata-ventos em pequenas propriedades, rotação e consórcio de culturas, plantio com espécies resistentes, preparo do solo com fertilizantes orgânicos, utilização de inseticidas, bactericidas e fungicidas naturais. Outra alternativa de convivência com o semiárido é conhecer o regime hidrológico para dominá-lo, armazenando a água de chuva, seja em cisternas ou em barragens subterrâneas. Devemos optar pela criação de animais e insetos adaptados às condições climáticas da caatinga, que resistam aos períodos longos de seca como a pecuária de caprinos e ovinos e a criação de abelhas (apicultura).
As características peculiares do sertão nordestino são um desafio para o povo sertanejo, e não um problema. O que nos falta é conhecer e interpretar o bioma caatinga, seus recursos naturais e sua potencialidade, para posteriormente seguirmos um caminho socialmente justo, ambientalmente seguro e viável economicamente, na busca do desenvolvimento sustentável da nossa Amazônia: A CAATINGA.

(por: Paulo Lima)

Greenpeace: Desmatamento Zero!!!